Notícias : Uma mulher de 80 anos tem uma doença terminal e pede ao médico uma última coisa.
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Uma mulher de 80 anos tem uma doença terminal e pede ao médico uma última coisa.

“Eu virei-me para escrever na pasta para que a enfermeira não visse as lágrimas nos meus olhos.”

Publicado por Vamos lá Portugal em Notícias
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Uma mulher de 80 anos tem uma doença terminal e pede ao médico uma última coisa.

Marco Deplano é um jovem urologista italiano que teve uma lição de vida de um dos seus pacientes. Deixe-o contar a sua história.

“Hoje recebi uma chamada para uma consulta noutro departamento. O habitual… Foi um paciente com cancro terminal e insuficiência renal devido à compressão dos ureteres. A mulher que conheci tinha entre 70 e 80 anos, cabelo ruivo e verniz de unhas cor-de-rosa.

- Bom dia, senhora.

- Bom dia, Doutor.

Olhei para o seu arquivo, fiz uma revisão e repeti o ultrassom.

- Senhora, os seus rins não estão bons: não conseguem eliminar a urina naturalmente, então preciso de inserir um tubo, um tipo de válvula. Então vai fazer xixi por dois tubos ligados a dois sacos…

- Desculpe, Dr., isso significa que vou ter mais um saco atrás de mim?

(Ela já tinha feito uma colostomia)

- Sim, senhora.

Houve um longo silêncio. Parecia interminável. Mas, finalmente, ela olhou para mim a sorrir. 

- Desculpe, qual é o seu nome?

- Deplano.

- Não, o seu nome.

- Marco.

- Marco… que nome lindo. Tem um tempinho?

- Claro, senhora.

- Sabe, eu já estou morta. Não percebe?

- Desculpa, não… não sei.

- Já morri há 15 anos atrás. Quando o meu filho de 33 anos teve um ataque cardíaco e morreu. Morri nesse dia também.

- Lamento muito.

- Eu morri com ele. Morri também há 10 anos quando me diagnosticaram com esta doença. Mas agora não preciso de fingir mais. Os meus filhos estão bem, e os netos também. Eu quero juntar-me a ele Qual é o sentido de viver mais uns dias com esses sacos atrás de mim, com sofrimento e a dar trabalho a mim e à minha família? Eu tenho a mínima dignidade. Ficará ofendido se eu não quiser fazer nada? Estou cansada. Estou pronta para confiar nas mãos de Deus. Diga-me a verdade, vou sofrer?

- Não, minha senhora. Não pode fazer o que quiser. Coloque os dois sacos…

- Marco, eu disse não. É a minha vida. Eu já decidi. Se quiser fazer qualquer coisa, pare a transfusão. Assim eu vou para casa comer gelado com o meu neto. 

Cada palavra que ela pronunciou tirou as minhas defesas, como quando se tira as pétalas de uma flor uma a uma. Esqueci a minha exaustão, a minha raiva e a minha frustração, tudo. Esqueci os anos de estudo, os milhares de páginas que li, as regras, os factos. Senti-me nu e desarmado diante desta fraqueza, desta consciência de morte.

Virei-me para escrever no arquivo para que a enfermeira não visse as lágrimas nos meus olhos. Estava tão emocionado. Quem me conhece sabe que eu não costumo ser assim.

- Marco, isso comove-o?

- Sim, um pouco, minha senhora. Desculpe-me.

- Não, isso é bom. Agradeço-lhe. Isso faz-me sentir importante. Ouça, por favor, faça-me outro favor. Se os meus filhos vierem gritar consigo, ligue-me. Eu digo-lhe para pararem. Escreva que estou bem. Concorda?

- Sim, senhora.

- Marco, posso pedir-lhe outra coisa?

- Claro!

- Você é especial. Sei que vai longe. Dê-me um beijo, como se fosse meu filho – isso incomoda-o?

- Claro que não.

- Vou rezar por si. E pelo meu ilho. Espero vê-lo novamente.

- Eu também. Obrigado, senhora.

Ela deu-me a maior lição da minha vida, com estas simples palavras. A morte é a última parte da vida. Não há necessidade de ter medo, ansiedade ou egoísmo. Coisas que não são ensinadas durante a escola. Eu senti-me tão pequeno na altura, diante tal magnitude.

O sofrimento faz parte do amor, às vezes aproxima as pessoas mais do que o amor em si. E às vezes uma palavra gentil é um remédio mais forte que a medicação mais moderna. Aprecie a viagem.” 

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Fonte: Ayoyemonde
Crêdito foto: Ayoyemonde

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