Começou o resgate de Julen, mineiros despedem-se e descem

Geolocalizador provou que túnel é paralelo ao poço.

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A equipa de resgate já começou a descida para resgatar Julen, equipa que recusava descer porque não tinha certeza que o tunel construído era paralelo ao poço em que julen caiu.

Esta quinta-feira, um geolocalizador da empresa sueca que localizou os mineiros do Chile provou que o túnel estava paralelo ao poço e que os mineiros só terão de escavar cerca de quatro metros até chegar ao local onde estará o menino. 

Depois de ontem ter existido mais um problema  na operação de resgate do pequeno Julen, os trabalhos voltaram a ser atrasados. 

Acredita-se que nas próximas horas os mineiros vão conseguir chegar ao local onde o menino se encontra para que se concretize o resgate.  Os trabalhos para encontrar Julen já duram há 12 dias largos dias.

Foi também aberta a investigação para apurar as responsabilidades civis e penais pela queda da criança de dois anos num poço artesiano que as autoridades dizem ter sido feito de forma ilegal. 

Outras notícias:

A carta emocionada de um polícia aos pais de Julen

"Não tive outra opção senão escrever algumas palavras sobre o que está acontecer no caso do pequeno Julen". Assim começa uma carta enviada por um polícia da Guarda Civil ao "Diario Sur", jornal regional de Málaga, Espanha.

Julen, um menino de dois anos, caiu num poço com 110 metros de profundidade, na tarde de 13 de janeiro, em Totalán, na província de Málaga.

Desde esse dia, dezenas de pessoas, entre polícias, bombeiros, psicólogos, engenheiros e mineiros tentam criar um plano para resgatar a criança.

Um polícia da Guarda Civil, que "está a dar a melhor versão de si mesmo em Totalán", decidiu escrever, a papel e caneta, uma carta, dizendo o que lhe vai na alma, o agente partilhou os seus sentimentos.

Leia aqui a carta completa:

"Testemunho de um guarda civil a trabalhar em Totalán

Não tive outra opção senão escrever algumas palavras sobre o que está a acontecer no caso do pequeno Julen. Longe das câmaras, políticos e comunicações oficiais, é minha intenção dar testemunho do lado humano do que está acontecer, porque está a passar muitos limites.

Digamos que, por razões de proximidade, fui um dos que deixaram a família com o prato na mesa naquele fatídico domingo, 13. Lembro-me de que na chamada que fiz à minha mulher pouco depois disse: "não esperem que eu jante, isto dura muito tempo".

E foi a partir desse momento que os eventos que motivaram esta carta começaram a acontecer.

Como Guarda Civil e como pessoa, reconheço que o meu coração tremeu quando se lidou com os primeiros minutos de desespero da família, mas também me senti abalado ao ouvir a emissão de rádio e como a central estava a coordenar o aviso de mobilização com a GEAS [Grupo Especial de Atividades Subacuáticas], MONTAÑA [militares de montanha e operações especiais], a Polícia Judiciária, SEPRONA [serviço de proteção da natureza], etc.

Tenho pouco tempo como profissional, mas tenho o direito de me sentir minúsculo perante a atuação das unidades de elite da Guarda Civil.

Vê-los trabalhar, coordenados com a experiência dos bombeiros, físicos com carreira, engenheiros, etc, foi um exemplo de profissionalismo.

Foi incrível como entre todos, eles procuraram soluções e fizeram "invenções" para poder chegar a Julen nas melhores condições de segurança possíveis.

Não vou esquecer o arrepio e as palpitações do meu coração ao ver o ecrã da câmara que ia ao seu encontro, tentativa após tentativa, porque o meu desejo era ver Julen, sabia que iria chorar se isso acontecesse, e por outro lado, não tinha a certeza se queria que ele aparecesse naquelas circunstâncias ou colocar a possibilidade de que nem estivesse lá e que um novo caminho de esperança se abrisse.

Foram momentos difíceis, de trabalho e tensão excessivos, ainda não houve um alívio, e durante dois dias observei alguns bombeiros e polícias a dormir nos veículos frios para que a cabeça pudesse continuar a funcionar.

Não vou esquecer as palavras que um companheiro me disse depois de três dias de trabalho ininterrupto no poço: "Aqui não pararemos até o resgatarmos, isso está claro".

Estamos com o corpo destroçado, mas com o coração intacto e vontade de sobra

Infelizmente, todo esse esforço serviu de pouco, acabamos por assumir uma operação de engenharia para resgatá-lo, com tudo o que isso implicava e com o desconforto de que o pequeno já lá estava há mais de 48 horas.

Eu também vi a admirável progressão das emoções dos pais, desde o desespero absoluto até uma calma e sossego que se tornam um exemplo para aqueles que os olham nos olhos.

Temos trabalhado no duro por mais de uma semana, e para quê negar, estamos com o corpo destroçado, mas com o coração intacto e vontade de sobra.

Dito isto, Espanha pode estar tranquila, porque os seus bombeiros, GREA 112, Proteção Civil, civis voluntários, psicólogos e, claro, a Guarda Civil JAMAIS IRÁ PARAR ATÉ DEVOLVER JULEN AOS SEUS PAIS, isso posso garantir.

E, claro, um agradecimento especial a todos que, de forma altruísta, se tornam uma parte fundamental do resgate com oferta de comida, bebida e outros, que nos mantêm com animados, ativos e com muita vontade de continuar a trabalhar.

De Totalán sentimos a respiração de toda a Espanha, garanto-vos, sintam a nossa e contem sempre connosco.

Saudação. Um guarda como qualquer outro que está a dar a sua melhor versão em Totalán. Vamos conseguir...".

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Fonte: CM · Crédito foto: CM