Carta aberta em defesa de Maria Begonha.

Todos os detalhes no interior.

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"Cara Maria. Foi eleita finalmente líder da juventude socialista mesmo que, desde o início da sua campanha, tenha sido alvo de uma enorme onda de descontentamento. Disse estar de “consciência tranquila” embora esteja envolvida em polémicas como um falso título de mestrado, avenças de milhares de euros numa junta de freguesia e numa câmara municipal, falsas declarações no currículo e uma investigação no Ministério Público.

Escrevo esta carta para a defender porque embora o país esteja chocado, não passa de uma continuação daqueles que têm governado Portugal sobre o pretexto de “razões de esquerda”, mas com o verdadeiro fim de alimentar as razões e os interesses pessoais.

A Maria Begonha que fala em “concretização dos direitos adiados” é a mesma que se achou no direito de receber 110 mil euros em ajustes diretos como uma simples assessora na Câmara Municipal de Lisboa. Teve ainda o desplante de afirmar que tinha “o maior orgulho” por isso.

A Maria Begonha que afirma convicta que quer conquistar “os desafios geracionais com os quais a juventude portuguesa se confronta” é a mesma mulher que representa a política obscura e sem consequências que é precisamente o maior problema que este país enfrenta. Estima-se que a corrupção custe a Portugal anualmente cerca de 18,2 mil milhões de euros, o dobro do orçamento para a Saúde.

Na semana passada o Tribunal Constitucional de Contas denunciou suspeitas de fraudes e ilegalidades nos gastos da Assembleia da República. Sabemos hoje que apenas em 2017 foram pagos 3,1 milhões de euros em ajudas de custos para viagens de deputados, sem exigência de comprovativos. Sabemos de deputados que mentiram nas moradas e assim conseguiram duplicar os seus salários com subsídios. Sabemos de parlamentares que faltam e mentem nas justificações. Por isso é que é mais do mesmo, Maria.

José Sócrates também disse estar de “consciência tranquila” quando abandonou o cargo do primeiro-ministro, mas três anos depois foi preso no aeroporto de Lisboa e está a responder na justiça por 31 crimes. Ricardo Salgado também disse estar de “consciência totalmente tranquila” antes de ser constituído arguido no Processo Marquês. Valdemar Alves, autarca de Pedrógão Grande, também se afirmou de “consciência tranquila” e negou qualquer fraude com os donativos destinados às vítimas dos incêndios. Vivemos no país onde por detrás da maioria das “consciências tranquilas” se esconde um rol de podridão que se estende desde os milhões desviados até centenas de vítimas mortais, independentemente de partidos.

Por isso, confesso que de si já não espero muito. Espero mais dos restantes jovens e menos jovens portugueses que estiverem a ler isto, pois são livres de escolher entre continuar a alimentar a ilusão de que não há consequências para quem mente ou defenderem um novo caminho onde corruptos, novos ou velhos, não vencem eleições. Embora não seja socialista, a minha esperança está naqueles que resistem e que a Maria tentou silenciar, tal como António Costa fez nas primarias do partido socialista.

Os portugueses não querem “razões de esquerda”, mas sim razões para voltar a acreditar na política.

Tenho dito."

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Fonte: Facebook Gaspar Macedo · Crédito foto: Facebook Gaspar Macedo