Carta aberta em defesa de Eduardo Ferro Rodrigues.

Todos os detalhes no interior.

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"Caro presidente da Assembleia da Republica. Disse recentemente que “alguns deputados colocam em causa o prestígio do parlamento”, referindo-se aos casos de falsas presenças. Escrevo esta carta para o defender, porque é verdade que o parlamento português tem sido marcado pela falta de prestígio e o senhor é o rosto perfeito desse mesmo desprestígio.

Não pretendo defender parlamentares ou partidos, mas não vou permitir que a sua hipocrisia perfaça a imagem que o senhor sempre teve. A imagem de alguém que nunca se importou de usar os cargos que ocupou para colocar a nação em causa.

O Ferro Rodrigues que acusa outros de desprestigiar o parlamento, foi o mesmo que, embora agora a segunda figura mais importante de Estado, foi implicado por uma das vítimas no processo Casa Pia, que envolveu pedofilia e favores sexuais. Foi mais do que um caso de polícia, colocando gravemente em causa Portugal.O Ferro Rodrigues que exige a investigação de outros indivíduos é o mesmo que disse convicto num telefonema com António Costa se estar “cagando para o segredo de justiça”.

Não me esqueço do Ferro Rodrigues que defendeu a reposição das subvenções vitalícias para ex-deputados e ex-governantes, que com apenas oito anos de serviço publico teriam direito a um cheque mensal até ao fim das suas vidas enquanto há portugueses que trabalham 30 e 40 anos para terem uma reforma miserável. Teve o desplante de afirmar que “os ordenados que os deputados recebem são maiores que os de muitos portugueses mas inferiores aos de deputados de outros países da Europa”.

O Ferro Rodrigues que evoca moralidades ilibou, em abril os deputados ilhéus que cruzaram na comunicação uma campanha de desculpabilização por terem recebido em duplicado os apoios públicos para as viagens que faziam entre os arquipélagos e o continente. Embora não tenham “cometido nenhuma ilegalidade” não hesitou em perdoar a falta de ética que agora faz questão de defender, porque está habituado ao tempo em que cada um, deputados e partidos, viviam com éticas próprias e deixavam as consequências para os contribuintes.

Criticou a justiça por investigar o caso Galpgate,onde três secretários de Estado aceitaram viagens pagas pela Galp para assistir a um jogo de Futebol, considerando a investigação absurda. Acabou na demissão dos três governantes que mais uma vez considerou não terem feito nada de errado. Nesse mesmo ano, a Galp teve um perdão fiscal acima dos 100 milhões de euros.

Faz alertas à justiça, quase como se tivesse autoridade para a repreensão, mas quando ainda era líder da bancada parlamentar do partido socialista, em 2014, não evitou a visita ao grande amigo e ex-primeiro ministro José Sócrates, no estabelecimento prisional de Évora.Foi o deputado que em plena discussão sobre o Orçamento de Estado para 2015, fez questão de elogiar José Sócrates e salientou que este “resistiu até ao fim”. Chamou de “enganados” aqueles que “atrelaram o PS ao comboio da austeridade”, embora fosse o seu partido, nas mãos de José Sócrates através da assinatura do memorando de entendimento, que oficializou a rispidez dos anos que se seguiram.

Investigue-se estes casos que estão a chegar a público, mas também os chefes partidários que sobrevivem durante décadas no sistema politica e que fazem dele a desgraça que é hoje. Dirigentes como o seu camarada Carlos César, que teve a lata de afirmar que “os deputados do PS que tivessem comportarmos ilícitos se deveriam demitir”, quando se sabe que quase toda a sua família foi empregada pelo Estado em cargos de assessoria. Políticos como o camarada Ferro Rodrigues, que perdoam a falta de ética e normalizam o aproveitamento dos fundos públicos, envolvem-se em processos judiciais, e exigem que o Estado Social financie vidas inteiras que pouco ou nada deram ao país.

Termino com a certeza de que Eduardo Ferro Rodrigues, presidente da Assembleia da Republica, é o melhor exemplo da degradação da nossa democracia. Uma democracia desprestigiada sim, mas não só agora.

Tenho dito."

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