Carta aberta de um jovem português a um hipócrita.

Todos os detalhes no interior.

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Caro ministro. Criticou no passado dia a oposição por ter escolhido para cabeças-de-lista "caras do passado".

Escrevo-lhe esta carta para afirmar que não passa de hipócrita. O mesmo homem que ocupou vários cargos de ministro durante quase 16 anos e está na política desde 1980 não tem legitimidade para falar em “renovação”.

O Augusto Santos Silva que fala em “caras novas”, é o mesmo homem que foi ministro da educação do governo de António Guterres, ministro dos assuntos parlamentares e da Defesa de José Sócrates, e agora ministro dos Negócios Estrangeiros de António Costa. 

É um hipócrita, porque enquanto fala do PS como “portador do futuro”, é também o mesmo homem que foi o braço direito de José Sócrates e que participou em 2016, depois de ser libertado, num jantar com mais 40 “ilustres socialistas” em honra do ex-primeiro-ministro. Passado um ano, teve o desplante de afirmar que o “PS não tem nada a ver com o José Sócrates”.

Nunca poderá acusar os seus oponentes de terem sido um dos braços direitos de um ex-primeiro ministro, ainda hoje acusado por 31 crimes de corrupção e branqueamento de capitais. Esse, só mesmo o senhor.

É um hipócrita porque o mesmo homem que ousa falar em “nova alternativa” faz parte de um governo com seis ministros de José Sócrates e sete ministros de António Guterres. Faz parte de um governo onde se sentam em conselho de ministros, pela primeira vez, marido e mulher, pai e filha.

Olho para a bancada parlamentar socialista e vejo sempre as mesmas caras. Olho para a presidência da Assembleia da Republica e vejo Ferro Rodrigues, um socialista com mais de 30 anos de carreira politica que disse se estar a “cagar para o segredo de justiça”. 

Por isso, o velho truque de se disfarçarem como nova alternativa não resultará, pelo menos comigo, nestas europeias. Da mesma forma que não há nada de novo num cabeça de lista que foi ministro de José Sócrates e que conquistou o mais baixo investimento público da história de Portugal, também não não há nada de novo num governo de velhas caras do regime. A mim não me enganam.

Tenho dito.

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Fonte: Gaspar Macedo · Crédito foto: Gaspar Macedo