Carta aberta de um jovem português à Mikaela Övén em defesa dos pais.

“Em defesa dos meus pais”

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"Cara Mikaela. Escreveu uma crónica no passado dia onde, mais uma vez, atacava os pais que dizem “não” a certos comportamentos e vontades dos seus filhos. Há cerca de um mês, um professor universitário chocou o país ao afirmar que obrigar uma criança a dar um beijo ao avô era “educar para a violência”. Nesta sua crónica foi mais além que esse professor, porque para si até os simples atos de um pai fazer cocegas à filha ou de uma avó obrigar a neta a vestir um casaco são um desrespeito pelos “limites físicos e emocionais das crianças”.

Escrevo esta carta para defender os meus pais, porque também eles me disseram “não” ou obrigaram a fazer algo que não queria fazer. De uma vez por todas, dizer “não” a uma criança não é ensiná-la a, quando já adulta, “perseguir, abusar, ou coagir sexualmente” alguém, como o escreveu.

Começa por contar a história da inês: «A Inês está encolhida no sofá, a rir-se muito. Quase a molhar as calças. Grita “não, não aguento mais. Pára! Pára, papá, pára!” Mas o pai continua a fazer-lhe cócegas.»

Enquanto alguns compreendem este excerto como a história de um adulto a desrespeitar os limites pessoais e os “nãos” de uma criança, eu apenas consigo imaginar o “horror” de um pai que brinca com a sua filha.

“Ensinar às crianças o consentimento” é o título da sua crónica. Para mim, mais urgente que isso é ensinar às crianças matemática, português, ciências, geografia, ao invés de nos perdermos na fantasia de que fazer cócegas à filha é um comportamento perigoso.

Depois continua com a história do Rodrigo: «O Rodrigo está com a fralda suja. A auxiliar da creche quer mudar a fralda, mas o Rodrigo foge. A senhora está com pouca paciência e tem receio que o rabinho do Rodrigo fique assado. Pega nele à força e, com o Rodrigo a espernear, muda-lhe a fralda.»

Quando a Mikaela pensa estar a exemplificar o desrespeito do consentimento de uma auxiliar por um miúdo, eu apenas perceciono uma auxiliar a fazer o trabalho difícil de impedir que o bebé se suje, suje outros ou, pelas suas palavras, fique com “o rabinho assado”. Há até quem defenda que se devia pedir autorização ao bebé par mudar a fralda.

As histórias continuam, desde o Santiago que não quer comer a sopa até à Catarina que não quer vestir o casaco. Esta teoria perigosa de satisfazer toda e qualquer vontade de uma criança, em nome do “consentimento”, tem um efeito exatamente contrário ao que alguns “teóricos” vendem. Se os pais fizerem todas as vontades aos seus filhos, estes vão crescer com a ideia de que toda a gente à sua volta também tem a obrigação de satisfazer as suas vontades.

Por fim, terminou a sua crónica aconselhando os pais que sentem culpa ao ler o seu texto a “transformar essa culpa em ação consciente”. Eu aconselho aqueles pais que vêm um “mudar de fraudas” ou um “vestir o casaco” como importante a não sentirem culpa por nada. Quem se devia sentir culpado são aqueles indivíduos, como a Mikaela, que têm contribuído para a expansão do politicamente correto e a destruição do valor da paternidade. Uma sociedade mais egoísta e egocêntrica nos espera, caso não transformem essa culpa em ação consciente. Deixem os pais educar os seus filhos.

Tenho dito."

A carta aberta de Gaspar Macedo é em resposta ao seguinte artigo: ENSINAR ÀS CRIANÇAS O CONSENTIMENTO.

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Fonte: facebook Gaspar Macedo · Crédito foto: facebook Gaspar Macedo