Carta aberta de um jovem à “nojenta” da Manuela Moura Guedes

Carta aberta de um jovem a Manuela Moura Guedes

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"Esta mensagem é para a nojenta da Manuela Moura Guedes…

Manuela Moura Guedes ficou conhecida por ser apresentadora e responsável do Jornal Nacional, onde todas as sextas-feiras abordava as investigações jornalísticas que fazia sobre a corrupção na política, na Banca, no futebol, mas sobretudo sobre o ex-primeiro ministro José Sócrates e os seus ministros. 
Depois da sua recente entrevista e das críticas que muitos lhe dirigiram nas últimas horas, pelo menos eu sinto-me na obrigação de expor a verdade sobre a jornalista que foi atacada por políticos, criticada por colegas e traída por amigos. Durante anos foi acusada de “mentirosa”, “nojenta”, ”insinuadora”, “caluniadora” e até de “desleal”. 

Pais do Amaral, na altura empresário e ex-presidente da Média Capital, dona da TVI, comentou logo após a extinção do programa televisivo por ela apresentada, que por ele “o jornal de Nacional nunca teria existido”. O mesmo que se opunha às investigações feitas por Manuela, anos depois foi acusado de estar ligado à Operação Marquês no desvio de mais de 2 milhões de euros e é um dos principais devedores individuais da Caixa Geral de Depósitos, banco público.

Escrevo para pedir aquilo que ninguém tem a coragem de pedir. Pela verdade e liberdade que os hipócritas fingem defender está na altura de condenar quem viu o jornalismo como terrorismo e reconhecer, através da condecoração de Manuela Moura Guedes com a Ordem Nacional da liberdade os serviços e sacrifícios que fez durante todos estes anos na defesa dos valores da civilização e da Liberdade. 

Investigou o caso Freeport, as Parcerias Público Privadas rodoviárias, os gastos excessivos da Parque Escolar, os créditos inexplicáveis da Caixa Geral de Depósitos, o negócio dos Submarinos, a promiscuidade entre obras públicas e os grandes grupos e empreiteiros, a destruição das escutas pelo Ministério Público, o desaparecimento de provas e arquivamento de casos ligados a José Sócrates sobre o olhar “atento” do ex-Procurador Geral Pinto Monteiro.

Perdeu o emprego na TVI, a carreira jornalística, amigos e oportunidades de futuro, tudo pela verdade que muitos escondiam aos portugueses através da anexação da comunicação social. Foi vítima de um país tão entranhado na mentira que fez dos mensageiros da realidade os desavindos da sociedade.

Manuela Moura Guedes foi a jornalista que recusou fechar os olhos à mesquinhice politica e económica do governo de Sócrates, numa época em que o país inteiro se encantava com o “pobre provinciano” que é hoje o rosto da corrupção em Portugal. Foi e ainda é a maior inimiga do Partido Socialista que fez das nossas instituições nacionais sucursais do partido.

A “nojenta” da Manuela Moura Guedes recusou transformar o telejornal que apresentava em mais um programa de propaganda partidária e roteiros gastronómicos. Quando muitos o que queriam, ela negou ser mais uma jornalista que teme e se deixa seduzir pelos homens dos grandes cargos.

A “mentirosa” do regime, foi perseguida por José Sócrates, o primeiro ministro que tentou controlar o Correio da Manhã e a TVI através da empresa pública Portugal Telecom, que tentou comprar o jornal “Público” através do Grupo Lena e que tentou destruir o jornal “Sol” depois da divulgação das escutas no processo “Face Oculta”.

A “caluniadora” é a prova de que num país iludido, os mais lúcidos transforam-se nos malucos excluídos. É a voz que representa a resistência a uma época que tentou transformar o nosso sistema democrático, gasto, em mais uma ditadura onde os jornalistas que não aceitavam os cheques e as contas pagas eram apedrejados e exilados da opinião pública. 

Lutou contra os que se vendem como defensores do feminismo, mas mal sabem que as verdadeiras feministas são aquelas mulheres que se recusam a ter donos políticos e económicos, como a Manuela.

A” vergonha” que os dirigentes e governantes socialistas sentem agora, os mesmos que se recusaram a ser entrevistados pela jornalista, começou a ser exposta pela mesma em 2005. A vergonha que dizem sentir agora não nasce com o Caso Manuel Pinho, este ano, e nem peca pelo atraso desde 2014, com a prisão de José Sócrates. A vergonha que dizem ter, vem com 12 anos de atraso e isso eu não perdoo. 

Para aqueles portugueses que pensam a liberdade como um dado adquirido, dos mais novos aos meus velhos, Manuela Moura Guedes é a prova de que este país precisa de continuar a produzir “capitães de abril”. Não aqueles que se autodeterminam como tal, mas sim os de espirito independente como uma mera jornalista que apenas quis fazer jornalismo.

Tenho dito."

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Fonte: Facebook Gaspar Macedo · Crédito foto: Facebook Gaspar Macedo