​Carta aberta a um desaparecido.

“Caro presidente, é a sua responsabilidade intervir.”

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Caro presidente. Depois de três anos sem nunca deixar de aparecer na televisão está agora calado enquanto o país vive uma crise política. 

Todos os abraços, beijos e opiniões rápidas não valem de nada se o presidente da república decide esconder-se no palácio de Belém com medo de tomar uma posição, numa altura em que os portugueses precisam de alguém que coloqueordem e distinga aquilo que é verdade daquilo que é mentira.

Em 2010, falando de Cavaco Silva e José Sócrates, questionou-se na televisão como seria “difícil manter um mentiroso como primeiro-ministro”. 
Agora está em silêncio, enquanto o primeiro-ministro mente descaradamente ao país e isso não é digno do cargo que ocupa. É a postura de um homem que nunca deixou de ser um comentador: fala apenas quando é sobre aquilo que mais lhe convém.

A verdade é que o documento para aprovação de que António Costa falou, foi apenas votado na especialidade. É um documento com vários pontos, propostos por cada partido. A verdade é que durante essas votações o PS chumbou as propostas da direita que colocavam restrições à despesa, tendo em conta a avaliação dos professores e a situação económica do país. A verdade é que tanto António Costa como o senhor sabem qual é a verdade. 

Já me disseram que não é da sua competência intervir. Mas afinal qual é a sua competência? Esperar pelas tragédias, mostrar-se preocupado e nada mais fazer? Tal como fez com as vítimas dos incêndios de Pedrógão Grande, quando lhes prometeu e não cumpriu a reconstrução das residências até 2018, enquanto passeava e tirava fotos pelas paisagens destruídas? Tal como fez com o roubo de armamento em Tancos, quando tentou abafar o processo logo de imediato? Tal como fez depois do desabamento da estrada de Borba, quando não exigiu responsabilidades ao governo, depois de ser público que o Estado teria sido avisado por cinco vezes sobre os riscos daquela infra-estrutra? Tal como fez sempre que teve de enfrentar o governo? 

Caro presidente, é a sua responsabilidade intervir. É sua responsabilidade estar presente quando mais é preciso. É sua responsabilidade defender o “bom senso”, como disse no seu discurso de ano novo. Ameaças e mentiras não são bom senso. Por isso, está na altura de deixar de ser comentador e passar a ser presidente da república. Isto, se alguma vez o quis realmente ser.

Tenho dito.

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Fonte: facebook Gaspar Macedo · Crédito foto: facebook Gaspar Macedo