Herman José mostra-se arrependido de não ter aceitado o desafio de Zé do Pipo

Humorista desvalorizou proposta do cantor

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Herman José mostra-se arrependido de não ter aceitado o desafio de Zé do Pipo

Humorista desvalorizou proposta do cantor

Zé do Pipo desapareceu há dois meses. As esperanças de o encontrar com vida são quase nulas. O humorista Herman José relembrou um desafio que o cantor pimpa lhe fez e que nunca obteve resposta.

Foi em Março de 2018 que  Zé do Pipo publicou um vídeo onde desafiava Herman José a interpretar uma música dele. Na altura segundo os pais do cantor ele  já abalado com uma recaída por causa da depressão.

O humorista nunca chegou a cantar 'O Pai de Todos'... hoje arrepende-se."Gostava que tu usasses a minha ao invés de usares a tua", brincou o cantor, depois de ter dito que ele e Herman tinha uma coisa em comum: "Temos uma música dedicada ao aparelho reprodutor masculino... sim, à pilinha".

Herman respondeu este domingo, dia 13 de janeiro, 10 meses depois do desafio ter sido lançado.

"O Zé do Pipo era mais do que só um boneco. Era um tipo musical, profissional e afável, de seu nome Nuno Batista. Este verão, foi assistir a um espetáculo meu em Azeitão e dar-me um abraço. Adivinhei-lhe uma tristeza estranha, longe de imaginar que era vítima de uma doença tão traiçoeira quanto cruel: a depressão. Hoje tropecei neste desafio que me havia lançado no You Tube. Achei que era boa altura para o lembrar, enviar um grande abraço de condolências à família e pedir desculpa por nunca lhe ter respondido ao desafio", escreveu Herman José.

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Nuno Batista é conhecido por Zé do Pipo e desaparecidos no dia 5 de Novembro de 2018. O carro foi encontrado junto a uma ravina em Peniche, o corpo nunca foi encontrado.

Os pais do cantor já perderam a esperança de encontrar o filho vivo. Numa entrevista a Manuel Luís Goucha, os pais continuam inconsoláveis.

«As autoridades deram um princípio, mas terminaram as buscas. Acabaram por dizer que tinha de acabar e que não podiam fazer mais nada. Quando nós perguntamos se sabem mais alguma coisa eles perguntam se nós sabemos 'se foi ali?'», começa por contar Carlos.

«ali» é a ravina em Peniche. «Nós não podemos dizer diretamente que foi ali. Não vimos», reage a mãe Rosa. 

Zé  do Pipo era bipolar e por isso os pais estão convencidos que o filho cometeu o suicídio.

«[O Nuno] chegou a dizer à mulher, que se um dia fizesse, que lhe perdoasse. Deixou de lidar com a família e de dizer diretamente à família que não sentia nada pela vida».

«Nós fomos reagindo, não o deixando sair de casa, conduzir e, dentro do possível, fomo-lo resguardando e dando-lhe a assistência médica que ele precisava

Uma semana antes de desaparecer, Nuno tentou mostrar à família que estava a melhorar.  «Ele foi um grande ator. Mostrar que estava a melhorar. É a partir daí que nós começamos a ver o que é que ele fez. Ele premeditou para que ao pequeno espaço que nós lhe déssemos fazer o que nós estamos a pensar», explica Carlos.

«No dia 1 de novembro, no Dia de Todos os Santos, ele disse à mulher que ia dar uma volta de bicicleta e deslocou-se até Peniche.» Na altura, foi até ao sítio onde viria a ser encontrado o carro. 

Nesse dia os pais falaram com ele ao telefone. «Ele atendeu o telefone, coisa que não fazia há muito tempo. Ele vi o telefone e não atendia. Ficava ali estático a olhar para o telefone e não atendia. Não tinha ação para ir atender o telefone e nesse dia atendeu», explicam.

«'Então filho estás melhor?' E ele: 'Estou agora a arrumar a bicicleta, fui até ao Baleal. E a mãe disse-lhe: 'Ai filho tão bom, olha que isso é muito bom fazes ginástica'.»

Os surtos psicóticos começaram há dois anos: «Antes nunca tinha tido nada», dizem. O artista estava a ser acompanhado por um psiquiatra.

«Nesse momento esteve quatro meses parado e depois, em 2017, já estava a trabalhar novamente. Deixou por completo a medicação nessa altura, por auto recriação dele. Porque se sentia muito bem.»

A mãe disse-lhe: «Filho, não faças isso porque tens de fazer o desmame». Mas Nuno Batista não deu ouvidos ao conselho: «Mãe, eu sinto-me bem, por que é que eu vou tomar mais medicação? Eu sinto-me tão bem», responde a Rosa no início de 2017.

Prestes a celebrar dez anos de carreira, com a personagem "Zé do Pipo",  Nuno Batista teve uma recaída relacionada com depressões e os médicos proibiram-no de continuar a ter a profissão de cantor. 

«Teve esta recaída em agosto. Esteve em 2017 bem. 2018 até meio de agosto esteve bem e depois começou a sentir aquele vazio. Sair de casa para ir para os espetáculos já era um sacrifício», explica Carlos. 

O médico ainda tentou adaptar a medicação à profissão e as reações de Zé do Pipo, mas acabaria mesmo por ter de abandonar os palcos. Os pais consideram que essa foi a «gota de água» para Nuno tomar a decisão do suicídio. «Tudo nos leva a crer que sim. A partir dessa altura foi quando ele caiu na solidão.»

O corpo não foi encontrado, mas para os pais não existe a possibilidade de ter fugido:

«Não, eu conheço o filho que tenho. Ele não me fazia sofrer a mim, ao pai e aos filhos. Pedimos para ele não fazer nada», diz a mãe. 

«No dia em que a minha nora me liga a dizer que o Nuno estava desaparecido… O Nuno saiu de casa às 14h30, a dizer que ia ao banco e à farmácia e foi. Fez um depósito, não foi à farmácia. Depois a minha nora até lhe disse que à tarde ia meter castanhas a assar. 'Quando tu vieres elas estão assadas' e ele disse-lhe 'está bem, eu vou num instante, faço um depósito e já venho'», relata o pai do cantor.

«Meteu-se a noite e ele sem aparecer. A minha nora ligou para a polícia a dizer que havia uma pessoa nesta situação que estava desaparecida. A seguir ligou-me e eu estava a trabalhar», continua.

«O primeiro sentimento que eu tive foi ir correr toda a costa de Peniche. Eu estive no sítio onde foi o caso. Estive lá à noite e ele com o telemóvel desligado. Eu depois vim avisar a minha mulher, tive de arranjar amigos para estarem aqui à porta, para quando eu lhe viesse dar a notícia não estar sozinho», confessa Carlos com a voz embargada. 

Em lágrimas, Rosa conta que o filho escolheu o sítio onde o ensinou a nadar. 

«No segundo dia foi quando demos com o carro. Andei a noite toda à procura do meu filho, eu disse 'tenho de encontrar o nosso menino'. Foi uma loucura, quando eu vi o carro do meu filho e eu não vi. Só me apetecia era destruir aquilo tudo. Eu e o pai é que fomos dar com o carro», relata a chorar.

«Foi para onde ele quis ir foi para onde eu o ensinei a nadar», diz.

Já passaram dois meses desde o desaparecimento, os pais apoiam-se um no outro. «Pedimos muita força um ao outro. E é assim que nos apoiamos. Pensamos que temos de continuar a vida, que temos os nossos netinhos para apoiar.»

 David, de 16 anos, e Gabriel, de três são os filhos de Nuno Batista «O pequenino fez perguntas nos primeiros dias. 'Não está cá o carro do pai', dizia. E a mãe disse-lhe: 'O pai tem dói dói e foi curar'», relatam os avós dos meninos.

 «A minha nora é como seja uma filha.» E Manuel Luís Goucha remata: «Faz falta um corpo». 

Ao que a mãe reage: «Sim, para me abraçar a ele, para me despedir do meu filho. Queríamos fazer a homenagem que ele merecia. Um amor de um filho. Toda a gente o amava. (…) É o amor da minha vida, os meus netos e o meu marido, mas o meu filho é o amor da minha vida para sempre. Para toda a vida até um dia nos encontrarmos», finda a mãe inconsolável.

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Fonte: www.flash.pt · Crédito foto: www.flash.pt